quinta-feira, 15 de abril de 2010

Construção civil deve criar 180 mil empregos este ano!


O emprego na construção civil deve crescer 8% em 2010. Isso significa que serão criadas 180 mil vagas com carteira assinada em todo Brasil, 52 mil delas no Estado de São Paulo. Assim, o setor encerrará o ano que vem com mais 2,4 milhões de trabalhadores contratados, 700 mil atuando nas obras paulistas, estima o Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon-SP).

?O crescimento da construção em 2010 será comandado pela ampliação dos investimentos públicos e privados?, afirma o presidente do SindusCon-SP, Sergio Watanabe. As obras do PAC, o programa governamental ?Minha Casa, Minha Vida?, a construção de infraestrutura para o País sediar a Copa do Mundo em 2014 e, principalmente, a perspectiva de expansão do mercado imobiliário garantirão um bom ano para os trabalhadores do setor.

Melhor até que 2009. O emprego no ramo foi um dos mais atingidos pela crise, mas também um dos primeiros a reagir. Numa demonstração de força, bateu recorde na criação de vagas: 212 mil pessoas foram contratadas nos primeiros nove meses do ano. O número de trabalhadores que atuam hoje na construção civil (2.296.899) nunca foi tão alto. Por tudo isso, a projeção de crescimento de 8% para 2010 pode até ser considerada tímida.

?Eu acho que podemos superar essa estimativa?, avalia Antonio Ramalho, presidente do sindicato dos trabalhadores da categoria (Sintracon-SP). ?Haverá vagas para todo tipo de profissional, do pedreiro ao engenheiro, porque a cadeia toda vai se movimentar.?

A maior parte dos funcionários do setor trabalha mesmo nas obras (veja ao lado). São pedreiros, serventes, ajudantes. ?A procura por esses profissionais vai continuar alta, com bons salários e oportunidades de crescimento?, indica Ramalho. Mas a verdadeira disputa das empresas deve se dar, principalmente, por engenheiros e outros profissionais que atuam especialmente na área de incorporação e na elaboração de projetos.

SALÁRIO PÓS-CRISE É MAIS BAIXO - Porém, embora precisem desses profissionais qualificados, as empresas não parecem dispostas a oferecer remunerações tão altas quanto as pagas antes da crise. ?Aquela história de ?salário milionário? para engenheiro acabou, pelo menos por enquanto?, declara Ramalho.

O sindicalista explica que quando a crise restringiu a oferta de crédito e prejudicou as construtoras, forçando demissões no setor, as empresas optaram por concentrar os cortes no ?pessoal do escritório?. Afinal, eles tinham os salários mais altos. Agora, as construtoras precisam recontratar esse pessoal para dar conta dos novos projetos. Mas nesta fase de recuperação da economia, a oferta salarial ainda não voltou aos patamares pré-crise. ?Já estamos sentindo falta de mão de obra qualificada no mercado, mas por enquanto as empresas ainda estão conseguindo contratar sem precisar fazer aquelas ofertas milionárias?, atesta Ramalho.

OTIMISMO - A expansão do emprego - e, por que não, dos salários - virá a reboque do crescimento do setor, projetado em 8,8% para 2010. Em 2009, o aumento do PIB do setor deve ficar em apenas 1%. ?O mercado imobiliário está se recuperando, ainda que não tenha chegado aos níveis de 2008. As contratações do programa ?Minha Casa, Minha Vida? na Caixa Econômica Federal estão acontecendo e as obras vão se acelerar em 2010?, resume o presidente do Sinduscon-SP, Sergio Watanabe.

Segundo ele, há perspectiva também de expansão das obras de infraestrutura, com mais investimentos públicos, principalmente em função das eleições de 2010. ?O setor privado está voltando a investir no aumento da capacidade produtiva, inclusive com ampliação das unidades industriais.?

O Sinduscon-SP avalia que os setores que receberão mais recursos serão o imobiliário residencial e o energético. Pelas projeções do sindicato, os investimentos imobiliários - tanto do setor público como do privado - deverão passar de R$ 170 bilhões em 2009 para R$ 202 bilhões em 2010.

Brasília contrasta riqueza e desigualdade após quase 50 anos de existência


Rica e desigual. Assim é possível definir a capital brasileira perto de completar 50 anos. Enquanto Brasília ostenta a maior renda per capta e o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país (considerando-se toda a região metropolitana), ela amarga o título de 16ª cidade mais desigual do mundo e a 4ª mais desigual do Brasil, segundo relatório divulgado recentemente pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Os limites de Brasília ainda causam certa confusão. Para alguns, Brasília corresponderia apenas à área de uma das 30 regiões administrativas que compõem o Distrito Federal: o conhecido Plano Piloto. Entretanto, órgãos como a ONU e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) quando se referem a Brasília levam em consideração as informações de todas as regiões administrativas, que, juntas, têm uma população de 2.606.885 habitantes (número de 2009).

Apesar da desigualdade social, os indicadores socioeconômicos destas 30 regiões se assemelham aos de países de primeiro mundo. Os números mostram que a região está em uma situação bastante privilegiada em relação às outras unidades federativas brasileiras, principalmente pela infraestrutura (acesso à saúde, educação e saneamento básico) oferecida aos cidadãos.

Segundo informações do IBGE referentes ao ano de 2008, 98,2% dos domicílios urbanos do DF têm o lixo coletado, 95,4% estão ligados à rede geral de abastecimento de água e 99,8% têm ligação direta com a rede geral de esgoto. A cobertura de energia elétrica já cobre 100% dos domicílios.

Entretanto, um estudo elaborado pela Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) com dados de 2004 constata a desigualdade apontada pela ONU. Enquanto em 2004 a renda domiciliar de 33,4% dos domicílios das cinco regiões administrativas com maior poder aquisitivo (Lago Sul, Sudoeste/Octogonal, Lago Norte, Brasília e Park Way) se caracterizava por rendimentos superiores a 20 salários mínimos, apenas 0,1% dos domicílios das duas regiões administrativas mais pobres (Estrutural e Itapoã) registravam o mesmo rendimento mensal.

"Brasília é um representativo das desigualdades registradas no Brasil inteiro", afirma o pesquisador Brasilmar Ferreira Nunes, autor do livro "A Fantasia Corporificada", que destaca as diferenças profundas entre todas as regiões administrativas do DF.

Riqueza e bem-estar

De acordo com números de 2007, a renda per capita do DF (quantidade que cada habitante receberia caso o PIB fosse dividido igualmente entre toda a população) é a mais elevada do país. Enquanto a renda per capita brasileira era de R$ 13.515, a do DF chegava aos R$ 40.696, representando mais que o triplo da média nacional.

Para se ter uma ideia exata das desigualdades existentes na região, a Codeplan situou em um ranking todas as regiões administrativas existentes no DF no ano 2000, com base no IDH dos municípios brasileiros naquele momento. Na ocasião, caso a região administrativa Lago Sul fosse um país independente, seria o de melhor qualidade de vida do mundo, com um índice de 0,945, desbancando a Noruega que, naquele momento, ocupava o primeiro lugar. A região com o pior IDH na época, Brazlândia (0,761), se fosse um país, ocuparia a 90ª colocação no ranking. Ainda assim, ficaria à frente do Brasil (0,757), que ocupava o 93º lugar.

Desde 1991, o DF aparece em primeiro lugar na classificação do IDH elaborado pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) --em 2000, quando foi feito o último estudo, o DF teve uma pontuação de 0,844.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mede os avanços alcançados por um país em três aspectos: vida longa e saudável (baseado na esperança média de vida ao nascer), acesso ao conhecimento (baseado na alfabetização e na escolarização) e nível de vida digno (baseado no PIB per capita associado ao poder de compra em dólares americanos). Os países são classificados dentro desses aspectos em valores médios entre 0 e 1, sendo que o 0 representa a ausência de desenvolvimento humano e o 1 significa um desenvolvimento humano total.

Das 19 regiões administrativas existentes em 2000, 12 estavam no grupo das regiões consideradas de alto desenvolvimento humano. As outras sete faziam parte do grupo de desenvolvimento humano médio. “Mesmo com as diferenças, nenhuma das regiões [administrativas] estava no grupo de baixo desenvolvimento humano”, afirma Iraci Peixoto.

Brasil e China lançam 'PAC chinês' e prometem metas até 2014


Os governos de Brasil e China assinaram nesta quinta-feira um acordo que prevê uma série de ações entre os dois países, com metas até 2014.

O Plano de Ação de Conjunta (batizado de "PAC chinês") estabelece objetivos em 11 áreas, entre elas energia e agricultura.

De acordo com o Itamaraty, a ideia é "dar foco" ao trabalho de diplomatas envolvidos em projetos sino-brasileiros e, dessa forma, "acelerar" a execução dos projetos.

Os pontos do PAC chinês serão revisados anualmente por uma comissão formada por representantes dos dois países.

"Eles terão como responsabilidade monitorar, revisar e avaliar a implementação do plano", diz o acordo assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega chinês, Hu Jintao, que está em Brasília.

O encontro bilateral ocorre em meio à 2ª Cúpula dos Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China.

Metas 'diplomáticas'

Com 30 páginas, o Plano de Ação reúne, em sua maior parte, objetivos já estabelecidos entre Brasil e China, como "conduzir diálogos aprofundados" sobre a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Segundo um funcionário do Itamaraty, tratam-se de "metas diplomáticas", e não de "metas numéricas, comuns na iniciativa privada".

No campo político, o PAC prevê encontros anuais entre os chanceleres dos dois países. Já na área econômica, Brasil e China se comprometem a "fortalecer" o diálogo sobre a implementação do reconhecimento da China como economia de mercado.

Além disso, o documento prevê a organização de um seminário sobre energia nuclear, com o objetivo de discutir uma futura "cooperação" entre Brasil e China neste setor.

Acordos

Além do PAC, Brasil e China assinaram ainda outros 13 acordos e memorandos de entendimento.

Um deles é o acordo para a criação de um complexo siderúrgico no norte fluminense, um negócio avaliado em US$ 5 bilhões e que será realizado pela brasileira EBX, em parceria com a estatal chinesa Vuhan Steel.

Segundo o empresário Eike Batista, presidente da EBX, o projeto deverá ficar pronto em três anos e poderá abrigar até 300 empresas do setor siderúrgico.

Na avaliação dele, o papel dos governos tem sido "fundamental" na expansão dos negócios entre China e Brasil.

"Não é só conversa. É dessa interação política que surge o ambiente para os investimentos. E também porque, no caso da China, a recomendação vem de cima", disse o empresário, referindo-se à atuação das estatais chinesas.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

DDA: Débito Direto Autorizado


Débito Direto Autorizado (DDA) é um sistema criado pela Febraban e bancos associados que substitui a emissão de boletos de cobrança impressos pela cobrança eletrônica das obrigações. Foi implantado em 10 de outubro de 2009.

Na década de 1990 foram criados os boletos de cobrança com código de barras. Com isso, a cobrança pode ser realizada de forma eletrônica, sem necessidades de gerar mais documentos físicos (papéis) pela cobrança. Porém, as empresas continuaram enviando as cobranças por meio impresso aos clientes, com a criação do DDA, a intenção é gerar menos documentos, facilitar as cobranças e pagamentos dos clientes e usuários além de contribuir para um desenvolvimento sustentável, sem necessidade da degradação ambiental para gerar os meios físicos. O sistema permitirá que todas as cobranças sejam recebidas eletronicamente, por meio dos sistemas dos bancos. As transações se darão 100% de forma eletrônica, e os valores das transações serão automaticamente creditados na conta corrente dos clientes credores.

Referências

http://www.febraban.org.br/Febraban.asp?modulo=Serviços&id_pagina=208 Página oficial

http://www.febraban.org.br/projetodda/

Hidrato de gás: potencial fonte de energia alternativa.


Um estudo desenvolvido pela geógrafa Claudia Xavier Machado, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), traça um panorama das pesquisas nacionais e internacionais sobre o hidrato de gás, composto que desperta interesse tanto pelo potencial como fonte de energia alternativa quanto pelo risco de contribuir com as mudanças climáticas. O trabalho de Machado, atual pesquisadora do Centro de Excelência em Pesquisa Sobre Armazenamento de Carbono (Cepac), da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), foi feito sob orientação do professor Luiz Fernando Scheibe, da UFSC, e resultou na dissertação de mestrado A importância do hidrato de gás como fonte de energia alternativa e como possível agente das mudanças climáticas.

Comparado aos demais combustíveis fósseis, o hidrato de gás representa o maior recurso energético do planeta e produz mais energia gerando menos CO2, de acordo com dados reunidos por Machado. O composto é formado por moléculas de gás - o mais frequente é o metano - encapsuladas em uma estrutura de água congelada que pode ser comparada a uma “gaiola”. De aparência semelhante à da água em estado sólido, o composto é chamado de “gelo que queima”, devido à presença do metano.

As reservas de hidrato de gás estão amplamente distribuídas pela Terra. As condições para sua formação ocorrem, principalmente, nos oceanos, a profundidades maiores que 500 metros. A pesquisa mostrou que a formação e a estabilidade do composto dependem de três variáveis: concentração do gás, temperatura e pressão. O hidrato de gás tende a se formar em locais com quantidades suficientes de água e metano, temperatura baixa e pressão elevada.

A viabilidade comercial do composto como fonte de energia deve ser atingida quando o preço do metano do hidrato alcançar o do gás convencional. Segundo prevêem autores pesquisados por Machado, com a queda na produção de petróleo, a demanda por gás natural irá aumentar, tendendo à diminuição da oferta do produto e, consequentemente, ao aumento do preço. Ao mesmo tempo, o custo de produção do metano a partir dos hidratos irá diminuir gradualmente, devido ao desenvolvimento tecnológico. No entanto, Machado afirma que a questão é relativa. “Para países com grandes reservas de petróleo, pode não parecer tão emergencial investir massivamente em pesquisa nessa área, pelo menos por enquanto”, pondera.

“É difícil determinar com certeza o grau de desenvolvimento tecnológico que os países mais avançados na área já atingiram, principalmente, por se tratar de informação estratégica”, afirma Machado. De acordo com seu estudo, no cenário internacional, o principal programa de pesquisas sobre o composto foi criado no Japão, em 1999. O interesse seria devido à preocupação com a segurança energética do país. Já a Coréia do Sul lançou, em 2005, a primeira instituição de pesquisa e desenvolvimento em hidrato de gás e prevê, para 2015, a produção comercial do composto. Índia, Canadá, Estados Unidos, Rússia e China também estão entre os países que investem nas pesquisas sobre o hidrato de gás, tanto em iniciativas locais quanto em parcerias internacionais.

Machado avalia que são escassas as referências de pesquisas brasileiras sobre o composto. “Acredito que a falta de interesse no hidrato de gás, no Brasil, pode ser decorrente da tradição na produção de óleo e gás. Talvez esse fator tenha orientado os investimentos para pesquisas voltadas para a indústria do petróleo, não priorizando a busca e quantificação de ocorrências do hidrato de gás no Brasil e o desenvolvimento da tecnologia necessária para explorá-lo”, afirma. A geógrafa, contudo, cita estudos brasileiros voltados para caracterização, localização e quantificação de ocorrências do hidrato de gás. De acordo com esses trabalhos, a presença do composto já foi confirmada na foz do Amazonas e na bacia de Pelotas (RS). Acredita-se, ainda, que ocorra também nas bacias de Campos (RJ), Espírito Santo e Cumuruxatiba, no sul da Bahia.

Segundo Machado, existe o interesse de uma empresa petrolífera em criar um centro de pesquisas que se torne referência em hidratos de gás no Brasil. Os estudos, inicialmente na bacia de Pelotas, envolveriam, entre outros aspectos, análises voltadas ao uso do metano como recurso energético. No entanto, a geógrafa afirma que ainda não pode fornecer informações mais detalhadas a respeito.

O estudo também aponta que o risco de ocorrerem grandes liberações do metano pela dissociação do hidrato, revertendo seu papel para um “intensificador” do efeito estufa é, possivelmente, um dos grandes desafios envolvidos na sua produção. Machado explica que a própria exploração do metano poderia desencadear a dissociação de grandes quantidades de hidrato de gás. Em consequência, haveria desestabilização do fundo oceânico. “Isso pode causar deslizamentos submarinos, explosões por brusca desgaseificação, formação de tsunami e liberação de metano, aumentando a sua concentração na atmosfera”, completa a geógrafa. Para viabilizar a produção em escala comercial, é necessário o desenvolvimento de tecnologias capazes de evitar esse risco.

A partir das pesquisas levantadas ao longo do estudo, Machado avalia que o hidrato de gás ainda não entrou para a agenda de discussões sobre mudanças climáticas, apesar da sua importância como possível fonte de energia alternativa. O surgimento de novos estudos e publicações, no entanto, indicaria um aumento de interesse pelo assunto, segundo a geógrafa. “Acredito que com o desenvolvimento de novas pesquisas e, principalmente, com o início da produção comercial, o hidrato de gás passe a ser considerado questão de grande importância quando se trata de emissões de gases de efeito estufa”, finaliza.

http://www.comciencia.br/comciencia/?section=3¬icia=561

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Concursos com inscrições abertas nesta segunda somam 15 mil vagas


Pelo menos 61 concursos públicos em todo o país estão com inscrições abertas nesta segunda-feira (12) e totalizam 15.702 vagas para todos os níveis de escolaridade.

Além das vagas abertas, há concursos para formação de cadastro de reserva, ou seja, os aprovados são chamados conforme a abertura de vagas durante a validade do concurso.

Pelos menos oito órgãos abrem as inscrições nesta segunda, são eles: a Marinha, a Polícia Militar do Estado de São Paulo, o Conselho Federal de Farmácia, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC (SP), a Fundação Criança de São Bernardo do Campo (SP), a Prefeitura de Santo André (SP) e a Prefeitura de Montes Claros (MG).

Entre os concursos abertos, o que oferece o maior salário é o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada, ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia: R$ 16 mil.

Confira mais informações e os editais dos concursos no site:
http://g1.globo.com/g1/concursos-e-emprego/

Empresa pode vigiar tudo que funcionário faz no computador do trabalho


As empresas têm o direito de monitorar tudo o que os funcionários fazem no computador do trabalho, desde que a vigilância seja previamente informada e esteja prevista em contrato. Segundo advogados consultados pelo G1, caso o profissional seja pego pelo monitoramento fazendo algo proibido pelo empregador, ele pode ser demitido por justa causa.
Para quem fica o dia inteiro na frente do computador, o rastreamento pode soar invasivo, mas o argumento das empresas é que, se o instrumento é para o trabalho, ele não pode ser usado da forma que os empregados bem entendem.

Empresa paga o pato


De acordo com o advogado Renato Opice Blum, especialista em direito eletrônico, o que legitima o poder das empresas de vigiar os empregados é a própria legislação. O Código Civil prevê que o empregador é responsável por tudo o que os trabalhadores fazem usando as conexões e os equipamentos da empresa.
Isso significa que, se um funcionário cometer um crime por meio do computador do trabalho, a empresa responde judicialmente pelo caso. O funcionário também poderá responder pelo crime, mas os prejudicados costumam processar as empresas por conta de elas terem mais poder e dinheiro em caso de indenizações. “Quem paga o pato é a empresa”, afirma Blum.

E-mail pessoal

O monitoramento do e-mail pessoal é a questão mais polêmica, explica o advogado trabalhista Alan Balaban Sasson, uma vez que muitos profissionais alegam ser invasão de privacidade.
De acordo com o advogado, o monitoramento único e exclusivo do e-mail pessoal do trabalhador não é permitido, mas os programas de vigilância acabam monitorando o e-mail particular quando ele é acessado no computador da empresa.
No entanto, se está previsto em contrato que o computador é monitorado e que, caso o funcionário entrar no e-mail pessoal a página também poderá ser monitorada, e mesmo assim o profissional opta por acessar o e-mail, fica difícil querer questionar a empresa pelo ocorrido.

"O contrato é a palavra-chave. O que o chefe não pode é simplesmente chegar a falar ‘deixa eu olhar seu e-mail pessoal’. Nesse caso, seria uma coação”, afirma. Coação é uma ação injusta feita a uma pessoa, impedindo a livre manifestação da vontade do coagido.
O advogado Blum aconselha que as empresas proíbam ou bloquêem o acesso ao e-mail pessoal para evitar dores de cabeça com a questão.


Bloqueios

Desde que registrado no contrato, as empresas têm o direito de permitir ou bloquear qualquer tipo de ferramenta no computador, além de poder usar de diversos meios para vigiar o funcionário. “Do mesmo jeito que é permitido colocar um supervisor para monitorar o trabalho, é possível fazer a vigilância eletrônica”, explica Sasson.
É permitido, inclusive, gravar conversas do MSN, rastrear arquivos deixados na máquina e monitorar as palavras escritas pelo funcionário.



Justa causa

Além da questão jurídica, as justificativas das empresas para fazer o monitoramento são muitas, explicam os advogados, e vão desde proteger informações confidenciais da companhia a até mesmo acompanhar a produtividade do trabalhador.


"Objetivos vão desde proteger informações confidenciais da companhia a até mesmo acompanhar a produtividade do trabalhador"


Caso um funcionário seja pego pelo monitoramento fazendo algo proibido em contrato pela empresa, ele pode ser mandado embora por justa causa, dizem os advogados.
Em casos de flagrantes de descumprimentos não tão graves, como o acesso a uma rede social quando isso for proibido, o funcionário recebe uma advertência. Em caso de reincidência, ele recebe suspensão e, se repetir pela terceira vez, pode ser mandado embora por justa causa.
Já se ele for pego fazendo algo mais grave, como acessando sites de pornografia infantil, por exemplo, a demissão por justa causa pode ser imediata.