
Depois de o consórcio liderado pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) vencer o leilão da Hidrelétrica de Belo Monte, a ser construída no Rio Xingu, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ter havido erros na elaboração da portaria de regulamentação da reestruturação da empresa. O presidente falou em entrevista ao Diário de Pernambuco, publicada na edição desta quarta-feira (21).
A mudança promovida no estatuto da Chesf pela Eletrobras, da qual é subsidiária, foi entendida como um esvaziamento e perda de autonomia da empresa e tem provocado polêmica e protestos por parte de um movimento "pró-Chesf" integrado pelo Instituto Ilumina, funcionários da empresa e políticos.
Na entrevista, Lula disse ter chamado o ministro das Minas e Energia, Márcio Zimmermann, na sexta-feira (16), para saber o que estava acontecendo. "[...] Eu disse ao ministro que ele tem que resolver esta semana esse assunto porque é pouca coisa para a gente ficar brigando."
"Você pega um funcionário não sei de que escalão para fazer uma portaria, sabe, talvez ele tenha colocado coisas exageradamente lá que não precisava ter," disse Lula. "Mas isso, da nossa parte, nós vamos resolver porque o que eu quero é que nós tenhamos todas as filiais fortes e a Eletrobras mais forte ainda".
Belo Monte
O presidente comentou também sobre o leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte. "Nessa licitação de Belo Monte, eu disse aos empresários: 'Se vocês não quiserem participar, nós vamos fazer sozinhos. Nós vamos provar que não vamos ficar reféns de nenhum empresário. Queremos construir parcerias juntas, mas não ficaremos reféns'", completou.
Ele lembrou que, ao chegar ao governo, as empresas públicas não podiam participar de leilões de energia. Para o presidente, quem agora defende a Chesf "é a direita que não tinha discurso". "O que é engraçado é que as pessoas que trabalharam para destruir o sistema elétrico brasileiro, e por isso privatizaram a Celpe - que é a empresa que cobra mais caro a energia no país - agora viraram todos defensores da nossa querida Chesf", disse o presidente.
Lula também frisou a importância da engenharia do Brasil em outros países. "Nós vamos fazer uma hidrelétrica na Nicarágua, em vários países africanos", afirmou. "O Brasil precisa aproveitar o conhecimento de engenharia nessa área e virar um senhor da situação. Não é apenas ficar disputando aqui dentro, não".






